Tuesday, December 05, 2006

Sim, Concâvo.


É num relance que me paralisa o Olhar. Concâvo. Cambaleio-me por todo o ser que me conheço. Seu tolo.
Era capaz de pegar num papel oxigenado e desenhar-te num riscar de fósforo. Num riscar finito e fátuo de amor, perpétuo na dor, e bastava um torto olhar.Antes, pego no papel e rascunho-te num punhado de palavras que me enchem os dedos. Quem dera poder colorir-te de letras esvaídas de amor. Mas não. Foi meu.
O destino que te inscreveu de dizeres triviais
com sublime fundo negro.
Tu e esse teu cheiro. Sim,
essa tua nota inundada duma framboesa que me desata os sentidos. E multiplicai-vos…por ti toda e tua. Tentas-me duma arte cujo salão mais não cabe, que no Olhar. É nuns teus toques que me afinco.
Dedos de xadrez que me não fintam.
Pouso-me a palma das falanges e é por toda tua que me corre o sangue. Teu. Meu. Dos imortais poção. À solta pelo mais que de mim despertas por um flácido Olhar, magnifico desamparo.
Se aquilo que me não desejas se perdeu, então que se abram as portas e se anuncie com trompetas que me achei. A ti. Titubeante. Desamparada. Sublime.
Tomada dum estonteante travo a framboesa. Olhar por olhar.
Um grito de dor desamarra-se e tu cais-te.
Soltaste das certezas. Sabes que talvez não.
E a rede foge-te por baixo num prazer Submissa. E os olhos? Esses rebolam infantilmente por ti e mim todo num fugaz suspiro…olhar por olhar,
o tolo.

Monday, September 18, 2006

Tigela de amor

Talvez o branco. Assim que me sento ligo-me na rádio. Ligo-me e deixo o mundo em que me fui criado. Vejo o rapaz bem educado. O rapaz dum ar ligeiramente simpático com cabelo empastado em gel. Espetado. Tudo indica que é feliz. O que é que faz mesmo esse rapaz?

Lanço. E perfuro-me na atmosfera da razoabilidade para enlear-me no universo das letras. Aqui! O fingidor sou eu. O fingidor és tu. Posso dizer-me ser feliz e ser bem, ser triste e ser mal. E sim, nas letras somos um tudo à direita e um nada à esquerda. Nada por tudo.
Vagueio. Vou-me até ao dia em que descobri o tal fogo.
Foi justamente encostado naquela parede branca cal que percebi que dói… Dói mas ao contrário do que canta Camões também se vê…e eu vi o todo branco que me encheu o olhar...Papá…chamava-me ela e aí me fugia eu prá sua beira. Linda, quente, enchia-me por completo que parecia explodir o peitito daquele magricelas, a doce menina.
Vinha a manhã e o Sol nascia todo pelas entranhas do meu ser humano ainda frágil, pero ja hombre. Toca-me. Já lhe sinto o odor a qualquer coisa misturada com a alfazema da cómoda da mãe. Infantil. Ingénua de um tudo em que é pouco mais que o nada em que nasceu.
Branca, a cal.
Avança e num passo bate com força no chão. Pára diante de mim. Olha-me e lança sua mão nívea de encontro ao meu pescoço e pára. Pára…A respiração fundada num nada pára também. Encostado em parede no muro morro-me por dentro como pirâmide de hipérboles do amor. O que quer que foi doeu, despoletou uma qualquer guerrinha de infantarias por todo dentro de mim e esforço-me para que no exterior não se ouça as trompetas…É bem forte. Torna o mais aguerrido combatente numa mera haste ao vento…Volta a respiração e ainda não consigo tomar-lhe a íris. Que estranho este que ama. Ama. Baixa a cabeça e num movimento brusco que balouça todos as cordas de cabelo saca-lhe da mão. E ama.
Ela põe os pés num slamlom de balarina e o general máximo toca a retirada.
Branco, o magricelas desvia o olhar e foge por entre as pernas brancas em tropeços ziguezagues…

Trôpego, de um modo sorrateiro, ajeita o cabelo de uma tigela em que o barbeiro fazia a espuma e segue o seu caminho com os olhos baixos. Vai prá sala branca…o magricelas.

Tuesday, September 05, 2006

>Morrer na praia



Em pontas, pego-te e penduro-te. Tu! Demolhada num passado que já lá vai.

Demoro-me… deixo os meus olhos esbanjar-se em todo o estendal e sinto a mágoa e dor que percorre o fio finito. Vejo ali tardes, sorrisos, ironias, olhares e cor!

Ao pegar numa primeira vejo o encontro fortuito, uma cadeira de plástico que puxa conversa e nos puxa um diante do outro, mera coincidência diriam. No destino não as há, todos os pontos conduzem uma linha, cujo fim há muito traçado. Pego numa segunda e terceira e o que volta a abeirar-se são risos, loucuras e promessas que se alinham céleres mas como que sobre uma mesa de jogo… São por cima de tudo felicidades, momentos iluminados por uma chama plena de alegria! Sim, fui feliz. Fui feliz contigo, fui feliz por seres comigo e me honrares ser cavaleiro do teu quintal!

Todos aqueles dias estendidos por ali num acaso admirável (até para uma dona respeitável) me deixaram tonto, uma bóia que à tona da promessa da felicidade se deixa guiar pelo bom vento e persegue doces caminhos com sabor a fel…

Lindos! Aqueles efémeros em ti, tudo o que acelerava nos olhares e parecia não mais parar! Tomar em verso linhas tão profundas era decapitar todo o sentido a que este texto aqui se agarra, mas tomar-te num estilo enlameado e quente foi esse sim o prazer maior! E belas sinfonias ecoaram em mentes virgens graças ao teu poder nada terreno mas sobre-humano…É de teu e deve continuar…deixa de fazer sentido escrevinhar mais qualquer coisa em saltem palavras que não tenha a tua chancela mental…É o último salto e após pendurar o último momento acaba aqui. Como começou. Numa transpiração pra lá do simples ser.

Penduro-te…encharcada de uma dor que me dói a mim, fruto de umas bandarilhas por que sou tomado e que demorei a conseguir arrancar…Fatalista? Talvez.

O certo é que tudo o que acreditei ao longo deste fio aqui esticado ficou cadáver, dolce principesca.

Thursday, August 24, 2006







Foi aqui nesta cadeira. Nesta cadeira onde me sento ingrata e dura.

Puxo de um, puxo de outro e ainda daquele bem saliente, uns a seguir aos outros naquele modo desajeitado do costume. Não passam de tretas enroladas com desespero, aqueles que puxo. Se pudesse voltar atrás e não puxar aquele que me enfiou nisto… Quem me dera não o ter feito, quem me dera que continuasse a sentar-me nesta cadeira e não ter de os puxar um atrás do outro dum modo vergonhoso. É um facto, sinto vergonha, nojo de mim, nojo do meu eu, nojo daquilo que não fui, daquele que não puxei.

Fui atropelado pelo que podia ter sido, embaraçado pela fantasia que delineei a verde-rosa e que foi, não mais que uma fantasia, um pesadelo mergulhado em desilusão castanha.

Quiseste poupar-me com o da razão e eu, tomado de Quixote, peguei no que estava ao lado, o degradante do “coração”. Hoje, não sou mais que um pássaro negro sobre um oceano repleto de crias da fealdade que cicurgitam bem alto…o teu nome.

É quando puxo doutro que me acende a ferida, é quando o puxo que me bate de tal maneira, que me fico.

Atordoado no nevoeiro, sem âncora, sem norte, apenas com o lápis negro na minha escura mão…envolvo um maço tortura de pensamentos…é por ti.

Friday, April 28, 2006

Perder por perder...um vivo!



Vejo-te esplanada num leito tosco, sobrancelhas levemente arqueadas e uma boca doce..dolce!

É este vaivém coração-cérebro que pára de soluço em soluço como escarro de dor que me ata a garganta e atrofia o fôlego.

A ti, olho-te lá do cima, esplanada num leito tosco. Num quarto de branco fusco e pulverizado a alfazema. Pra dizer a verdade toscamente espalmada de bruços. Não é teu.

E num ápice a roedora úlcera que me aniquila o pensamento dá lugar efémero ao passado que era uma bem feliz dor de cabeça. Eras tu. Esbanjada naquela cadeira negra que te deixava aquele sorriso ainda mais colorido. Impossivelmente mais doce. Apresentas-te. Trocamos identidades como quem Se troca. Foi a pródiga fofa desta roldana…

Senti que te tomava cada vez que te olhava, senti que te levava comigo no teu quente perfume, senti que eras minha e só a ideia possessiva e egoísta de te ter para mim me tornava verdadeiramente altruísta contigo. Dominavas com açoite o meu pensamento. E não pensava. Comigo felicidade eterna. Contigo eternamente feliz. Eras a Outra peça do puzzle. Perder-te era amputar o melhor que de mim tinha. Falhei.

Porcelana da mais fina, eclipsou-se por entre as minhas mãos, lançou-se inanimada na atmosfera, girou tosca e redonda, e deixou quedar-se toda no chão. Ainda te pontapeei. Acabou…“(Meu nome de registo civil)”, balbuciaste em tons moribundos.

Foi. Coma cru e tosco em que te encontrei. Liquidado em ti. Anestesiado no teu ser, aniquilado na tua vida. Congelada e roxa. De bruços, murmuras palavras que não são de ti. Mastigas letras que me fazem tapar o coração para não sentir. Não te Sentir. Ali naquele leito tosco e branco ficou espojada a maior parte de mim. Esse amor pulverizado a par da alfazema perde-se remoto no ar…em vão.

A roldana pára. O mundo pára. Sou obstruído de te gostar, sou bloqueado de ser contigo.


Perder uma pessoa querida que não só nos deixou, como deixou também a vida é bem duro. Porém, perder alguém que continua a respirar aquele mesmo ar que inspiramos deixa qualquer um aturdido, atordoado, perdido. Intoxicado…Reanimar, sim é possível…Sim,acredito.

Friday, March 24, 2006

Sim, posso furar o mundo pra te ver Surgir perante mim...

Podia explicar o interregno de saltem palavras com um punho de palavras rugosas e amargas, de sentimentos enlameados de dor e escuridão. Mas limito-me a botar o olhar nas ”luzinhas”(que grande admiração lhes nutro!) que furam o petro-breu lá em baixo na rua. Por entre o gelo e intemperança do vadio definem-se sós, ali plantadas por um senhor de colete cujo nome Surgia rabiscado no cartão de identificação mas que não conseguiam decifrar. E volto-me a ver. Ao teu lado. Desembaraçado de pensamentos, desembaraçado de apreensões, desembaraçado desta vida cruel. E Porquê? Porque te tinha de porcelana fina nos meus seios quentes. Abraçados.

Assim que levo à boca a chávena em lume ou numa rispidez dum agora piso a flor que vence a calçada, Surges a mim. De pálpebras bem abertas a um segundo de seres comigo-tu, choco com a realidade e o que os meus olhos descobrem no céu vazio é o imenso vácuo em que me deixaste. No Nada. Atolado.

Pego com raiva no comando e duma novelesca “repleta de emoções fortes” surge um velho de orelhas grandes à medida da sua experiência que afirma que é coisa que só acontece uma vez na “vidinha”. E embora em cima não queira acreditar nesta verdade de ficção, lá em baixo Surge uma voz confiante que sussurra que sim, que é extraordinariamente especial, singular, uno que aquilo que sinto é o expoente máximo do amor, Romeu e Inês que me perdoem mas este sentimento extravasa a história do sempre, do nunca, do ser em virtude de ti dolce princesa. Aquele olhar de moço já foi… agora nem olho porque os meus olhos solo em ti se fundam, em ti semeiam raízes de amor! É um amor só de uma vez…
No Sempre. Acredito.

O meu cardíaco de encamado sem tempo nem dor, aumenta, acrescenta, atinge um galopar imenso e fundo. És tu. Sim és tu! Não entendo porque perguntas se és tu quando Surges para mim doce e donzela e o meu coração parece querer rebentar, a minha boca saltitar até à tua e lá acampar…dias, noites. Amar. Sem parar. E num riscar quase não a consigo enganar…


Depois destas palavras (diagnóstico claro dum ser humano com a doença do amor) ainda procuro os teus olhos de ser magnífico nos reflexos, na multidão, por entre os molhos de singularidade, porque sim posso furar o mundo pra te ver Surgir perante mim…
Dolce Princesa.

Sunday, March 05, 2006

Espasmo..



Acoplado na cadeira branca de plástico, com os braços semi-afundados na mesa também branca e também de plástico tento ignorar aquilo que o meu cérebro grita, aquilo que ele lança em vão no vácuo e ressoa por todo o poro que sou.
Inútil ignorar os laivos de dor que me tomam a todo o indicativo.
Sou mais um que padece da dor.
Sou mais um trevo de três folhas à deriva na baía, contudo esta dói-me a mim mais do que a qualquer ser que caminhe a duas patas.
Na lama.
Nu.
A patinar por entre a merda com que me enterrei.

Escorregando nos dedos pena, caneta ou lapiseira foram mais que muitos os que foram desenhando palavras nas folhas pautadas só para drenar o que parecia fonte non-finita de dor. Porque é que não? Porque é que em vez de um verde carregado de sim, o sinaleiro levanta com uma expressão de gozo e cinismo simplesmente aterrador, um laranja com sabor a não?!
E fico-me embicado com os olhos enormes rolando no teclado imenso perdido naquele sim-não binário, naquele vida-morte que me separa e reparte…

E chego os trépidos dedos ao cálice enrugado como um derradeiro espasmo de amor…

Wednesday, February 15, 2006

Foi por deixar!



Deixei por anunciar,

Que sim…

Adorava-te!

Deixei por lembrar,

Que sim…

Gostava-te!

Deixei por dizer,

Que sim…

Amava-te!

E logo o Sol rolou num espasmo…

E a lua quedou-se redonda, cinzenta!

Agora,

Já no breu às riscas pintado,

Prostado,

Por entre os negros ferros,

Fico-me, acorrentado,

Das mãos e da débil alma!

Ergo-me…

de súbito!

Ouço trautear,

ao fundo…

Sinto a sombra correr e saltar

Tua e Nua é fundada no frio corredor…

Não te almejo,

Mas sei que as tuas duas esferas espreitam…

Por entre elas, por entre tu e eu…

Surdo, cego e mudo…

Levanto-me,

Vacilo…

E num ai de dor respiro um nome com estorvo,

Oh minha dolce Princesa!

Te amo…!

Sunday, January 29, 2006

Perfume que de veludo...

É ali e apenas ali, no espaço cru e carcomido, que o me encontro.

Escuto-o de soslaio, espreito-o, encosto-me de cotovelo àquela nuvem enrolada em doces aromas e deixo-me cair, redondo…na vida que não o é.

Caio-me e dele sou tomado como banho em deserto de pólen. Oh trompeta da harmonia serenata! Até que a cúmplice lua se ponha, pois o senhor chegou e o banquete está na mesa…

São flores, pardais, brados e sóis que Ela endossou, conquanto só ele atordoa atoardamente.

Só ele sela olhos, alma e coração frágil com o rendilhado carimbo do ser em si, de viver la dolce…

Olho-me e não vejo mais que a ele, bravo conquistador do eu, do ser, do todo que envolve o universo das riscas.

Avanço e as narinas abrem e cerram paulatinamente consoante ele me vai tomando, se abeira de mim e me abarca todo, me não deixa segundo pra suspiro.

Ahhhh! Quem me dera que fosse… mais uma estrela que ponteada no céu, um folhetim que atirado ao correio, uma cana que lançada ao infinito azul, um pontapé na calçada…

Mas não

Aquilo que aqui é é singelo, singular, único como o trevo das quatro, e cada vez que te penso é ele que vem, nu, branco e portador do estandarte maior…


Apanhaste-me no vácuo, doce perfume de veludo! Foste tu que me asseguraste que sim, que ela vinha, em pontas de lã e em círculos, a magnifica bailarina da caixa de música!

Sunday, January 15, 2006

Gosto-te...Tuti-Principesca!


Azul-Branco! Seduz-me Dó!,

Um pingo a mais,

e

Entorna de desespero…

Castanho! Delicia-me Mi!

Um manco que manca,

Trôpego…

Esbarra na dor…

Vermelho-Laranja! Qué dolce Sol!

Uma aba que solta,

Fugida!

Se esgueira pela sombra…

Verde-Rosa! Magnifico Lá!

Gosto-te só a ti,

Pim pam pum…
Tuti-Principesca!

Tuesday, January 10, 2006

Soltos!

Sentado neste sofá as palavras enveredam pelo caminho qu não ouso pensar mas que o meu coração desbrava paulatinamente

Imensa baía de sol,

Flui!

Desata e solta teu belo pôr,

Deslumbra!

Solta e volta a desatar,

Encontrada!

No fundo a cinzento acenas sim e não…

Qual soturna tômbola

Daquilo que os sonhos são feitos…!

E já o sol se põe…

Rufa doce tambor,

Rufa ao som do estandarte,

Porque o que era só é,

e o trompeta já troteia na frente…

E É num gesto,

Surdo e trôpego,

Que no todo cego nevoeiro,

Paulatinamente te trespasso…!

Ebúrnea e leda…

Friday, January 06, 2006

Pendurados no sol...!

Soltos são,

E pendurados no sol que teima,

Como brincos perdidos,

No tolo areal imenso de nada,

Abre oh menina!

Essa mão ousada, queima…

Deixa-me,

Tomá-la desenfreadamente,

Como se o todo que nos une,

Fosse,

Pelas nuas mãos tomado,

Sem arrepiosss,

Só calor…!

Toca-me,

Agora,

Enquanto o sol beija na Terra,

Dum ápice e outro,

Um ali outro aqui…

E a luz que foi,

Seja!

Tua,

Nossa,

Doçura a dois pendurada…!

Monday, January 02, 2006

SSSuspirar...

Urgente? Urgente é pintar, suspirar…


Foi quando o passei pelos teus…

…que me senti,

imediato,

aflito,

gritante…

aflito e imediato,

sem brilho nem cor nem sabor,

esvaindo-se de amar o jumento!

Nunca,

Nunca é cedo pra sentir,

Nunca é cedo pró Sol passar diante das nuvens,

Nunca é cedo para parar e o passar de novo…

Esses teus que o tomam…

Tomados são de amar,

E de amar são muito e mais,

Muito e mais ao de amor os pintar…

Nesses Doces lábios perdido,

Ensaboado de amor saltita o condão,

Porque além de inspirar…

É URGENTE PINTAR, SUSPIRAR…!